Ainda a propósito da falta de luz de Domingo à noite, e porque estupidamente não pus a DS a carregar, não havia muito para fazer. E não tinha sono, caso tivesse, adormecia imaginando os tempos antigos à luz dos candeeiros de petróleo. Dei uma vista de olhos, sob a luz trémula da vela de cheiros do IKEA, numa daquelas revistas tipo VOGUE, mas que não é a VOGUE. Gosto de ver as tendências, os editoriais e os bonecos em geral, não leio propriamente as reportagens. Tenho livros para ler, não me costumo dar ao trabalho de ler revistas destas pelo menos.
Anyway, acabei por ler um artigo sobre traição, onde detalhadamente explicam as melhores formas de trair sem se ser descoberto. Truques e dicas sobre como enganar o parceiro ou parceira. O que dizer, o que inventar, como engendrar o esquema do princípio ao fim sem que nada escape. Ou seja, mil e uma maneiras de enfiar o barrete na cabeça cornuda da cara metade.
Acho curioso e triste que se escrevam coisas destas, ainda para mais em revistas cujo main target são mulheres inseguras e desprovidas de algum conteúdo. E acredito mesmo que haja alminhas que sigam o plano à risca (não tem necessariamente que correr bem) e que a coisa depois só se descubra quando o puto que nascer tiver a fronha igual à do homem do leite (não sei se ainda existe o homem do leite, vá, o homem da tv cabo).
O poder que estas revistas têm está fora do entendimento de alguns. No entanto, usam-nas como destruidoras de carácter e enaltecedoras da estupidez. Em vez da partilha de histórias reais de pessoas que se deram mal a enganar os parceiros, exibem orgulhosa e manhosamente métodos eficazes de praticar o mal.
E eu que comprei a revista alimento a semente do Diabo.