Este fim-de-semana que passou foi dedicado a passear por Lisboa, que é das coisas que mais prazer me dá fazer. No meio deste nosso triste fado, Lisboa e os seus recantos continuam a fazer-nos acreditar que dias melhores virão. Em cada esquina temos espaços por descobrir, inovadores, carregados de magia e experiências que há muito se julgavam esquecidas. Numa cidade adormecida que parece só viver dos turistas de meia branca e sandália, há lugares cujo valor só a nós faz sentido, e um desses lugares é
A Vida Portuguesa.
De repente entro na casa dos avós, com os chapelinhos de chocolate Regina na taça de vidro da mesa da sala de jantar. A despensa encarrega-se de arrecadar uma série de enlatados cuja embalagem por si só já é digna de ser exibida num museu. A doçaria essa, bem, a língua enrola-se quando nos lembramos dos sabores das compotas caseiras, e depois, já lambuzada, lavo as mãos com os sabonetes de lavanda da casa-de-banho branca, sempre arrumados no suporte dourado em forma de concha. E quando uma loja nos faz sentir isto? Sabemos então que não é uma simples loja, mas sim uma fábrica de memórias, aquelas que se pensavam perdidas. De repente, nas nossas mãos, sentimos o país, o nosso país. Estes produtos são nossos. Estes produtos somos nós.









Não foi a primeira vez que visitei esta loja mas só desta vez tirei fotografias para fazer um post digno do que este espaço tem para nos oferecer. Perco-me aqui, e acredito que quem a visite sinta o mesmo. Podemos encontrar tudo, e, para além do que aqui vos mostro, temos ainda mais delícias: ardósias, forminhas de biscoitos, livros de receitas como os das avós ou bisavós, loiças tradicionais, a lista é ínfima. A sugestão fica dada, num próximo passeio pela capital, passem na Rua da Anchieta e espreitem esta casa cheia de tesourinhos que são tudo menos deprimentes.